domingo, 3 de janeiro de 2010

VIC E O PROCEDIMENTO - SALA 101

Em uma sala decorada com o busto de filósofos e o quadro “O Sono da Razão Desperta Monstros” de Goya, Enki Manara e Vic, mago da Tradição “Filhos do Éter”, conversam:

- “Eu sempre tive a curiosidade de conhecer mais a fundo o grupo mais básico da sua sociedade, essa associação de indivíduos que vocês chamam de ‘cabala’, que tipo de laços tem esse grupo e o que faz com que eles se formem, em comparação com os laços da sociedade ‘adormecida’, seriam laços de amizade, de amor, de necessidade mútua, obrigação moral, laços de família e de sangue?”

-“São laços muito mais fortes que qualquer laço entre os adormecidos!”.

- “Então este é um grupo superior, formado por indivíduos superiores?”

-“Sim, não é algo que venha de alguma emoção que um adormecido possa conhecer ou experimentar, nós magos temos apenas uns aos outros, nossas diferenças são imensas, mas maiores ainda são as semelhanças que nos unem, nós despertamos, vemos o mundo de uma maneira diferente, uma maneira diferente mesmo entre nós, fazendo-nos cada um individuo único, vemos o mundo de uma maneira nova, e mais que isso, uma maneira nova a cada dia, percebemos aquilo que os outros jamais enxergaram, uma miríade de possibilidades, faz parte deste mundo não só a sua parcela material mas também cada fragmento de imaginação e pensamento que uma mente gera. Conviver com um adormecido seria torturante e quase impossível para cada um de nós, e mesmo entre nós, a verdade final é que somos sozinhos, e é a nossa solidão que nos une”.

-“Então seus elos seriam mais fortes em qualquer aspecto que aqueles dos ‘adormecidos’?

- “Com absoluta certeza, nenhuma relação entre a sociedade adormecida é verdadeira.”

-“Não sei se você me convence, mas as suas ‘certezas’ muito me agradam, tudo isso você afirmou, em nível subjetivo, mas venha Vic, você e eu somos cientistas, e como tais, você pode me oferecer alguma prova disso?”

-“Eu o faria de bom grado, mas não vejo como eu possa oferecer evidencias por meio da experiência que apóiem minhas afirmações.”

-“Posso colocá-lo em um dispositivo de tortura, com a garantia de não sofrer nenhum dano irreversível, você poderia desistir do processo a qualquer momento, mas se o fizesse, a sala onde estariam seus outros dois companheiros de cabala teria o oxigênio cortado, o que você acha? É algo um pouco extremo, mas eu lhe mostro vídeos com o mesmo procedimento aplicado a ‘adormecidos’, e com elos bem mais fracos dos que os que você me descreve, muitos tiveram êxito. No fim em qualquer desfecho, como já havia dito antes, você e sua cabala terão a liberdade devolvida.”

-“Talvez no fim você mesmo inveje nosso mundo e quando sairmos daqui você também vai decidir vir conosco, e finalmente abraçar sua última natureza, a natureza que gera toda essa sua curiosidade sobre nós, sua natureza de mago”.

-“Então você aceita a minha proposta?”

- “No fim você só estaria perdendo seu tempo, provando uma verdade redundante, além disso meus outros dois companheiros não se encontram aqui.”.

-“Isso não é problema, sabemos a localização de cada mago nesta cidade, neste momento eles estão nas ruas procurando por você e por Gina, eu posso trazê-los aqui, mas somente o farei se você me autorizar a fazê-lo...”

E assim Vic autorizou Enki Manara a capturar os outros dois membros de sua cabala.

VIC, DESFECHO - SALA 101

Tendo suas afirmações contrariadas e não verificando reciprocidade em seus companheiros, para Vic os elos que unem uma cabala já não eram mais tão fortes e as diferenças entre eles se tornaram maiores que as semelhanças que os unia, desse modo ele rompeu com sua cabala: “Eu me tornei um ser arcaico, e me uni a seres arcaicos, no entanto alguns seres são ainda mais arcaicos que outros... Existe uma verdade irrefutável, você vai morrer, eu vou morrer, e então iremos habitar outras dimensões além do Horizonte, e este mundo será apenas uma lembrança, então o que há de errado em permanecermos vivos o máximo de tempo que pudermos?... Da minha tradição vieram os precursores da medicina, você perdeu o senso de maravilhamento com a ciência, o senso de arte, de invenção, de originalidade... Isso se deve em grande parte a Tecnocracia, mas em grande parte se deve a uma mente estéril...”. Ao encontrar em uma estação de metro um de seus companheiros de cabala, Vic não hesitaria em sacrificá-lo para escapar do Vajrapani, mas sua idéia foi apropriada pelo Orfão, que novamente o abandonou à morte, para desta vez escapar de seus perseguidores.

GINA, DESFECHO - SALA 101

Gina, uma Verbena, ela via o mundo de uma maneira muito diferente que seus companheiros de cabala, não conseguindo esconder sua mágica de maneira tão eficiente quanto eles. Vítima do paradoxo, foi levada a instalações na sala 101 onde era tratada e mantida viva por meio de uma unidade de processamento médico, ali foi abandonada à morte por seus companheiros magos.

Já curada, quando reencontrou um deles, ao contrário de Vic, Gina buscou o caminho da conciliação, limitando-se apenas a censurá-lo: “Você tem muito a aprender sobre a “Vida”, uma vida não vale a afirmação de um ponto de vista, este é o caminho da Tecnocracia... Suas lágrimas também não valem o fim de uma vida...”. Durante o sexo ritual com o qual pretendiam conciliar-se, imbuindo-o um valor maior da vida a ele e fortalecendo-a, Gina acabou sendo morte pelo Vajrapani.

DESFECHO DOS PERSONAGENS - SALA 101

Os dois personagens tiveram atendidos seu mais profundo desejo desde que entraram na sala 101... Sair de lá! No entanto em liberdade foram perseguidos pelo Varjrapani, e estes se mostraram mais persistentes e eficazes que os agentes da própria tecnocracia.

Mortalmente ferido pelos “punhos beligerantes”, o mago do Culto do Êxtase é socorrido e levado novamente a sala 101, para mais uma vez passar pelo Procedimento 3, só que desta vez com uma outra perspectiva, como alguém que precisa das máquinas, e agora ali entrarão outros dois magos a quem caberá a decisão de reparar o processador médico ou não...

Em fuga desesperada e incessante, o Órfão volta a frente do prédio da União, lugar que torna-se para ele o que outrora fora a Capela, os únicos metros quadrados em que pode refugiar-se. Com a aproximação eminente do Varjrapani e diante das portas mais invioláveis que a tecnologia pode produzir, o mago moveu-se por uma vontade forte e profunda, manifestada quando pronunciou a senha de acesso: “Eu quero a Segurança da tecnocracia.”.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Relatório 25 – Conclusões

Indivíduo 206.467/42: O indivíduo está completamente mudado pelos procedimentos, agora considera até mesmo o uso de violência para combater a União. Conclusão: Não representa ameaça.
Indivíduo 206.467/03: Preocupante, o indivíduo não demonstrou nenhuma mudança aparente após ser submetido aos três procedimentos. Conclusão: Deve-se usar uma medida extrema, colocá-lo em liberdade.
Indivíduo 206.467/81: Procedimento 1: Sozinho com o avaliador e armado, não esboçou nenhum gesto de violência; Procedimento 2: Pediu por comida aos primeiros sinais de fome; Procedimento 3: De posse de seu maquinário, tentou socorrer alguns pacientes, tanto magos quanto adormecidos, não obtendo sucesso, reparou a unidade de processamento médico. Conclusão: Altamente perigoso, o individuo deve ser encaminhado ao procedimento 2:1.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Sala 101 - Sequência

Um órfão e um cultista do êxtase saem da segurança da capela a procura de seus outros dois companheiros de guilda, então desaparecidos, no processo são capturados pela União Tecnocrática. Levados para a infame sala 101, passam por uma série de procedimentos e por fim lhes é devolvida a liberdade! ... Entretanto, será que a liberdade é algo que existia previamente em suas vidas, para que possa lhes ser devolvida?

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

tecnocracia proxima sexta

Caro gerenciador de amalgamas avaliatórios.

Peço envio extraordinário de avaliadores a cidade região de maskland, devido a constatação de anormalidade em uma das amostras populacionais colhidas. O individuo-amostra hjk78, relata varias experiências trasgressórias na já citada cidade. Maskland é uma cidade de porte médio, produtora de maquinário pesado e habitada em sua maioria por trabalhadores do setor, na periferia encontram-se casas padronizadas construídas para abrigar mão de obra e fábricas, no centro blocos de apartamentos. Possui também seu próprio controle local e não tem antecedentes de transgressão. Obrigado.

Dr. Polsky – interrogador chefe de amostra de massas.